Sábado, Agosto 12, 2006

Cirque du Brasilis

O circo chegou. Daqui até as eleições a felicidade reina. Show de um lado, gás de cozinha grátis do outro. Quando a banda passar, todo mundo na mesma rotininha safada de sempre.


Domingo à tarde. Como se já não bastasse gastar minhas últimas horas de folga em casa, tenho que aturar infinitos trio-elétricos entoando políticos maravilhosos.

O Brasil é irritante. Não falo isso por birrinha de fedelho entreguista. Em outros países candidatos divulgam seus planos de governo, aqui eles fazem riminhas vazias em ritmo de samba, brega, pagode, o que mais dê na telha.

Por mais desprezível que pareçam, eles estão certos. O povo não dá a mínima pra idéias. Quem não cai na música está condenado ao ostracismo.

Divertido mesmo é horário político. É incrível como há uma solução mágica para todos nossos problemas; os números, então, só se multiplicam. A música aqui também é marcante. Mais elaborada, tem como pano de fundo muitos braços dados e sorrisos encorajadores. Rumo à mudança.

Perdi o romantismo revolucionário muito cedo. Pouco me abalo com a forma alienante de nossas campanhas. O que importa é meu sossego. Portanto, da próxima, sem picadeiro na parte inicial da orla.

2 comentários:

Fernando Júnior disse...

Cirque du Brasilis...o maior público do mundo! E o melhor: entrada gratuita!

Um dia aprenderemos a fazer Política...

HelioPereiriano disse...

É tudo fingimento. Os eleitores sabem que os políticos maravilhosos não são maravilhosos. Votam por farra. Fingem que votam. Não é a ignorância que as motiva. É a crença de que política é assim mesmo, e melhor a fazer é cair na gandaia. Só que cada um tem a sua. Na verdade é para isso que servem os políticos. Para fazer trios elétricos. O resto do tempo, o mandato, são férias merecidas após tanto esforço em cumprir a obrigação de alegrar a população. A campanha é que é o trabalho deles. Quando a campanha termina o trabalho se encerra.