Quinta-feira, Agosto 24, 2006

O feio no belo

Ailton Reis

Segunda à tarde. Nada mais gratificante do que começar a semana com o pé esquerdo. Após uma sonolenta improdução de texto, o que poderia ser melhor de que sociologia, com Joelina? Sim, esse ser que ministra aulas há meio século tem a incrível capacidade de nos desestimular. Com seu sorriso maroto, e seu jeito nada descontraído, cria um clima tão desagradável que nossas línguas parecem grudar ao céu da boca. Hoje ela resolveu me importunar. Parece que sua visão atravessa meus vagos pensamentos. “Ô menino de óculos e camisa azul, entendeu?” Nem preciso escrever a resposta sincera. Não implico com seu jeitão "bruxa de filme de sessão da tarde”, mas o fato de que qualquer Zé ruela, que tenha lido previamente os textos que ela passa, saiba explicar melhor o assunto, me incomoda um pouco.

Terça, 8 da manhã. Após mais uma tentativa frustrada de assistir teorias da comunicação, volto pra casa sentido-me um vagabundo, todos estudando e eu aqui, escrevendo asneiras.

Quarta, que beleza. Vamos à UFS apenas vislumbrar tia Jojo e sua adorável aula. É realmente uma pena ela não ter vindo. Gastei meu passe a toa. Mas não posso reclamar, nunca perdi dinheiro tão alegremente.

Quinta, ah saco. Ficar relatando minha semana é irritante, não sei de onde tirei essa bendita idéia. Continuarei a descrição de meus infortúnios. Não gosto de parar na metade. Além de ficar o dia todo na UFS, e aturar o franginho ensopado de óleo, preciso manter-me de pé e resistir em consciência até o fim de produção.

Sexta, que beleza. Como ainda é quinta, menos um dia a narrar.

Olhando sob essa perspectiva, talvez tenhas a impressão de um cotidiano desagradável. Que nada, para cada tristeza há duas felicidades; e agora chega, hoje estou muito piegas.

1 comentários:

Fernando Júnior disse...

Para cada tristeza, há duas felicidades...
As vezes, chego a pensar q somos magicos para conseguir essa proeza...

O importante mesmo é não desanimar =]