Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Auto-crítica e algo a mais

Ailton Reis

Fim de ano chegando. É tempo de refletir e renovar as promessas não cumpridas. Não tenho muito que falar. Entrei no curso de jornalismo semestre passado. Já começo a sentir os efeitos. Estou mais preguiçoso do que nunca.

Sempre fui displicente. Confesso que o metódico nunca me atraiu. Meus trabalhos eram todos feitos no calor do último momento. Agora, porém, além de potencializar o vagabundo que há em mim, o curso impõe um processo de esterilização mental. Muito assunto, pouco conteúdo. Se antes, do aparente caos surgiam coisas minimamente interessantes. Agora, me mato para arranjar temas estimulantes, e tudo que consigo é falar sobre mim mesmo. Que decadência.

Decretei greve. No interior de meu cérebro, faço minha revolução silenciosa. Ou boicoto o curso, ou ele boicota minha criatividade Deveria ler, em média, 7 apostilas por semana. Cada uma, aproximadamente, 15 páginas. Não é lá muita coisa, claro que não. Jornalista é acomodado, lembre-se. Eu, como bom profissional, começo a ignorá-las.

Mas, as semelhanças terminam aí. Se não leio o material acadêmico, não é por causa de sindicatos ou coisas parecidas. Nesse ponto, não sou preguiçoso, apenas desiludido. Perdi meu viés revolucionário com a chegada de minha barba. Prefiro, agora, comodamente ouvir os comentários de Olavo de Carvalho em sua rádio virtual, e ler seus artigos freqüentemente postados em seu site.

Estou sem assunto. Enrolei o texto até aqui. Não posso continuar sem uma pauta. Falarei qualquer asneira que me recordar.

Essa semana um pessoal da Carta Capital distribuía revistas a universitários. Uma cena atípica, beirava o cômico. Alegrou-me a explicação de aquelas eram as sobressalentes, não vendidas durante a semana. Não peguei. Não achei justo jogar fora tanto papel. Depois, pensando bem, percebi o quão egoísta sou. Pouparia uma mente de tanta propaganda cafajeste, subserviente, pró-Lula.

O pessoal adora “meter o pau” na Veja. É o novo passa-tempo de qualquer um que se diz esclarecido. De fato, estão certos. A Veja não é boa coisa. É a cara do PSDB. Se por um lado, é anti-Lula e seus comparsas do mst, por outro, é anti-Bush e anticristã. Ou seja, é social democrata. Esquerdista enrustido. Seria a direita dentro do marxismo.

Pinochet morreu. O ditador que modernizou o Chile passou dessa, espero eu, para uma pior. Diferentemente de comunistas, nós não idolatramos déspotas sanguinários. Por mais que seus ideais sejam louváveis, o aniquilamento gratuito de vidas humanas é injustificável. Espero ansiosamente a vez de Fidel.

É... Acabou. Já limpei minha mente. Não fiz promessas para o próximo ano. Prefiro ficar calado, recluso, preparando-me para o que estar por vir. Ou melhor, vagueando sem rumo, como um bom jornalista.

6 comentários:

Contos e Desencantos disse...

Acho q vc deveria ter pego a Carta Capital. Para um vagabundo aspirante à jornalista, ser politicamente inflexível, não resolve o problema. Temos que ler tudo. E se possível criar aversão a ideologias. Elas não servem pra nada. Tampouco a nada.

Ailton disse...

Calma getulhão. Não fique pessoalmente ofendido. Eu sou o vagabundo, não vc. ehehehe
qto à carta capital, já a li em inúmeras oportunidades.

JOrnalista deve ter sim ideolgia. Principalmente se tratar textos opinativos. Ideologia não significa, pelo menos em meu casa, em cegueira.

Fernando Júnior disse...

Nunca vi sua barba, Ailton...
(kkkkkkkkkkk)
Claro que voce tem o seu viés revolucionario, voce nao pode apenas se prender a essa epistemologia recheada de ideologia...
A culpa eh da linguagem, que se subverteu a todo e qualquer interesse propagandistico.
O que restou a nos, meros estudantes de jornalismo, foi optar pela veia humanistica.

E que assim seja!

Contos e Desencantos disse...

Caro Ailton, não é o q vc trasnparece, ou então vc finge muito bem.
ok. Podemos sim ter ideologias, mas jamais ser inflexíveis.

HelioPereiriano disse...

Uma amiga minha se identificou com seu blog. A princípio ela gostou e apreciou o primeiro parágrafo. Quanto ao resto ela vai ler depois quando estiver disposta. Ler blogs também é meio cansativo.

Joel Pinheiro disse...

É, Aílton, em alguma medida concordo com os comentários. Eu estou gradualmente vendo que essa ideologização toda (capitalistas vs socialistas, direita vs esquerda, conservador vs liberal!) não leva a nada.
A grande maioria das pessoas não tem qualquer sistema organizado de idéias.

Os termos que usamos são úteis para simplificar a comunicação, mas quando os confundimos com entidades realmente existentes, e as discussões viram repetições deles, já se passou dos limites.

O melhor é discutir as idéias e as práticas em si, sem se preocupar tanto com o "grupo ideológico" ao qual elas pertencem.

Mesmo porque descobri, lendo Von Mises, que as discussões sobre sistemas econômicos são todas elas sobre meios, e não sobre fins. No fundo são questões totalmente objetivas e passíveis de solução científica: mostrar que tal meio leva ou não ao fim desejado.

Claro que as discussões maiores e mais profundas entram no campo filosófico, moral e espiritual; mas ao menos no campo da política e da economia (que é onde as guerras ideológicas fazem mais barulho hoje em dia) toda a ideologização é quase inútil.