Ailton Reis
Sábado fui ao supermercado. Dificilmente faço compras. Não sei se é a música ambiente, ou as pessoas que congestionam filas por não saberem usar um cartão de crédito, o que mais me incomoda. Entrei, peguei, e fui pagar. Tudo muito rápido para evitar aborrecimentos. Chego ao balcão, completamente vazio. A sorridente funcionária me encaminha a outro caixa, o de pequenas compras. Fico irritado, mas evito confusão. Tive que esperar 4 minutos além do previsto.
Que FMI, que ALCA. Somos, em maioria, um bando de vagabundos ineficientes. Esse é o real problema do Brasil. Não há nenhuma regra que restrinja pequenas compras ao caixa de pequenas compras. Mas, a atendente achou mais cômodo indicar-me outro caixa a fazer por si mesma. Não havia pessoas atrás de mim, foi preguiça mesmo. Em repartições públicas, a corrupção do trabalho se intensifica. Como quase nunca se demite um servidor, os mesmo se sentem no direito de serem ineficientes e mal-humorados.
Toda essa cultura do ócio tem raízes históricas. Ao invés de ingleses e holandeses, fomos colonizados por portugueses. O povinho mais pilantra da Europa. Trouxeram escravos, e mais escravos. Tudo para não trabalharem, afinal, trabalho é algo chato, feio e, ainda por cima, cansa. As “damas” da sociedade passavam o dia inteiro dormindo no sofá, soltando flatulências. Seus maridos, provavelmente, extorquindo alguém ou adquirindo mais serviçais. Esse foi nosso passado. Atualmente, a vadiagem já deve estar no gene. Neguinho vende a alma para ganhar 600 reais, mas acha impróprio o trabalho doméstico. Paga alguém para lavar suas cuecas, mantendo seu “status”.
Nos Estados Unidos, as coisas são diferentes. Desde cedo, valorizam o trabalho, por mais braçal que seja. Garotas de 13 anos já fazem bicos como babás. Aqui, no máximo fazem filhos. Nessa terra tropical, adolescentes têm vergonha de dizer que trabalham. Lá, a vergonha é depender dos pais para tudo.
Por isso somos tão atrasados ideologicamente. Por isso idéias comunistas ainda têm fôlego por aqui, mesmo derrotadas há décadas em lugares habitáveis. Aonde se valoriza o trabalho, há eficiência. Aonde há eficiência, há prosperidade, e conseqüentemente, o ideal socialista é visto como piada. No Brasil, há uma volumosa massa de inertes. O sonho dos mesmos é serem alimentos pelo estado, parasitando aqueles que verdadeiramente trabalham. Isso é socialismo. O Brasil e sua esmagadora carga tributária é socialista. Existe propriedade privada, mas a mesma é rigorosamente domada com a brutal burocracia, e seus lucros, em grande parte, saqueados através dos impostos. O ciclo é vicioso. Lula e FHC’s da vida, assim como Chávez e Fidel, se mantêm no poder graças ao assistencialismo barato.
Num país que tem como ídolo Macunaíma, e a representação máxima dos cidadãos é Jeca Tatu, o fracasso é inadiável. Sou brasileiro. Sei disso. Confesso que tenho certa preguiça física. Luto arduamente contra minha natureza. Um dia consigo renegar minhas origens e ser, de fato, produtivo. Muito mais que ficar escrevendo umas coisinhas por não ter o que fazer.
*Repluquei o texto excluindo uma parte que não consegui argumentar satisfatoriamente.
3 comentários:
Agora vi...ia comentar semana passada e o texto tinha desaparecido...hehehe
Discordo quando diz que a carga tributária e a burocracia existentes no país sejam frutos de uma ideologia socialista. Esses aparelhos apenas confirmam o domínio oligárquico no Brasil, visto que os grandes empresários e latifundiários (descendentes dos senhores de engenho, nesse ponto concordo com sua crítica à nossa colonização) recebem todo o tipo de incentivo e benefício para aumentar sua lucratividade, em detrimento de culturas familiares e pequenos estabelecimentos comerciais. Com essa obscura parceria entre o setor público e o privado, o brasileiro médio não tem perspectiva de crescimento e se torna um escravo da crueldade situacionista.
E duvido que 10% dos brasileiros saibam quem foi Macunaíma...talvez estejamos mais para Policarpo Quaresma...
No mais, gosto da ironia com que trata seus textos.
E se não existisse uma máquina estatal que impede o crescimento dos pequenos negócios, duvido que realmente preferissem o ócio burocrático à criatividade e planejamento administrativo do seu próprio estabelecimento...
Quando Junior diz q 10% dos tupiniquins não conhecem Macunaima, imagine a porcentagem conhecedora de Policarpo Quaresma.
Fazendo um outro comentário, já q houve mudanças, mais uma vez digo: Foi sua melhor postagem.
Um toque: Quando vc falar em comunismo, volte sempre ao comentario q junior fez.
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