Sábado, Dezembro 30, 2006

Ócio não-criativo

Ailton Reis

Sábado fui ao supermercado. Dificilmente faço compras. Não sei se é a música ambiente, ou as pessoas que congestionam filas por não saberem usar um cartão de crédito, o que mais me incomoda. Entrei, peguei, e fui pagar. Tudo muito rápido para evitar aborrecimentos. Chego ao balcão, completamente vazio. A sorridente funcionária me encaminha a outro caixa, o de pequenas compras. Fico irritado, mas evito confusão. Tive que esperar 4 minutos além do previsto.

Que FMI, que ALCA. Somos, em maioria, um bando de vagabundos ineficientes. Esse é o real problema do Brasil. Não há nenhuma regra que restrinja pequenas compras ao caixa de pequenas compras. Mas, a atendente achou mais cômodo indicar-me outro caixa a fazer por si mesma. Não havia pessoas atrás de mim, foi preguiça mesmo. Em repartições públicas, a corrupção do trabalho se intensifica. Como quase nunca se demite um servidor, os mesmo se sentem no direito de serem ineficientes e mal-humorados.

Toda essa cultura do ócio tem raízes históricas. Ao invés de ingleses e holandeses, fomos colonizados por portugueses. O povinho mais pilantra da Europa. Trouxeram escravos, e mais escravos. Tudo para não trabalharem, afinal, trabalho é algo chato, feio e, ainda por cima, cansa. As “damas” da sociedade passavam o dia inteiro dormindo no sofá, soltando flatulências. Seus maridos, provavelmente, extorquindo alguém ou adquirindo mais serviçais. Esse foi nosso passado. Atualmente, a vadiagem já deve estar no gene. Neguinho vende a alma para ganhar 600 reais, mas acha impróprio o trabalho doméstico. Paga alguém para lavar suas cuecas, mantendo seu “status”.

Nos Estados Unidos, as coisas são diferentes. Desde cedo, valorizam o trabalho, por mais braçal que seja. Garotas de 13 anos já fazem bicos como babás. Aqui, no máximo fazem filhos. Nessa terra tropical, adolescentes têm vergonha de dizer que trabalham. Lá, a vergonha é depender dos pais para tudo.

Por isso somos tão atrasados ideologicamente. Por isso idéias comunistas ainda têm fôlego por aqui, mesmo derrotadas há décadas em lugares habitáveis. Aonde se valoriza o trabalho, há eficiência. Aonde há eficiência, há prosperidade, e conseqüentemente, o ideal socialista é visto como piada. No Brasil, há uma volumosa massa de inertes. O sonho dos mesmos é serem alimentos pelo estado, parasitando aqueles que verdadeiramente trabalham. Isso é socialismo. O Brasil e sua esmagadora carga tributária é socialista. Existe propriedade privada, mas a mesma é rigorosamente domada com a brutal burocracia, e seus lucros, em grande parte, saqueados através dos impostos. O ciclo é vicioso. Lula e FHC’s da vida, assim como Chávez e Fidel, se mantêm no poder graças ao assistencialismo barato.

Num país que tem como ídolo Macunaíma, e a representação máxima dos cidadãos é Jeca Tatu, o fracasso é inadiável. Sou brasileiro. Sei disso. Confesso que tenho certa preguiça física. Luto arduamente contra minha natureza. Um dia consigo renegar minhas origens e ser, de fato, produtivo. Muito mais que ficar escrevendo umas coisinhas por não ter o que fazer.

*Repluquei o texto excluindo uma parte que não consegui argumentar satisfatoriamente.

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Auto-crítica e algo a mais

Ailton Reis

Fim de ano chegando. É tempo de refletir e renovar as promessas não cumpridas. Não tenho muito que falar. Entrei no curso de jornalismo semestre passado. Já começo a sentir os efeitos. Estou mais preguiçoso do que nunca.

Sempre fui displicente. Confesso que o metódico nunca me atraiu. Meus trabalhos eram todos feitos no calor do último momento. Agora, porém, além de potencializar o vagabundo que há em mim, o curso impõe um processo de esterilização mental. Muito assunto, pouco conteúdo. Se antes, do aparente caos surgiam coisas minimamente interessantes. Agora, me mato para arranjar temas estimulantes, e tudo que consigo é falar sobre mim mesmo. Que decadência.

Decretei greve. No interior de meu cérebro, faço minha revolução silenciosa. Ou boicoto o curso, ou ele boicota minha criatividade Deveria ler, em média, 7 apostilas por semana. Cada uma, aproximadamente, 15 páginas. Não é lá muita coisa, claro que não. Jornalista é acomodado, lembre-se. Eu, como bom profissional, começo a ignorá-las.

Mas, as semelhanças terminam aí. Se não leio o material acadêmico, não é por causa de sindicatos ou coisas parecidas. Nesse ponto, não sou preguiçoso, apenas desiludido. Perdi meu viés revolucionário com a chegada de minha barba. Prefiro, agora, comodamente ouvir os comentários de Olavo de Carvalho em sua rádio virtual, e ler seus artigos freqüentemente postados em seu site.

Estou sem assunto. Enrolei o texto até aqui. Não posso continuar sem uma pauta. Falarei qualquer asneira que me recordar.

Essa semana um pessoal da Carta Capital distribuía revistas a universitários. Uma cena atípica, beirava o cômico. Alegrou-me a explicação de aquelas eram as sobressalentes, não vendidas durante a semana. Não peguei. Não achei justo jogar fora tanto papel. Depois, pensando bem, percebi o quão egoísta sou. Pouparia uma mente de tanta propaganda cafajeste, subserviente, pró-Lula.

O pessoal adora “meter o pau” na Veja. É o novo passa-tempo de qualquer um que se diz esclarecido. De fato, estão certos. A Veja não é boa coisa. É a cara do PSDB. Se por um lado, é anti-Lula e seus comparsas do mst, por outro, é anti-Bush e anticristã. Ou seja, é social democrata. Esquerdista enrustido. Seria a direita dentro do marxismo.

Pinochet morreu. O ditador que modernizou o Chile passou dessa, espero eu, para uma pior. Diferentemente de comunistas, nós não idolatramos déspotas sanguinários. Por mais que seus ideais sejam louváveis, o aniquilamento gratuito de vidas humanas é injustificável. Espero ansiosamente a vez de Fidel.

É... Acabou. Já limpei minha mente. Não fiz promessas para o próximo ano. Prefiro ficar calado, recluso, preparando-me para o que estar por vir. Ou melhor, vagueando sem rumo, como um bom jornalista.

Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

Charlatanismo em dose dupla

Ailton Reis

Sexta à tarde. Aula de teorias da comunicação. O calor lancinante só não me aflige mais do que o tédio. Como não tenho nada para fazer, começo a escrever. Má idéia. Tendo como trilha sonora toda a balela marxista da teoria crítica, boa coisa não sairá.

Adorno e Horkheimer são expoentes da escola de Frankfurt. Deles se originou o termo “Indústria Cultural”. Segundo os mesmos, tal indústria é inerente e exclusiva ao capitalismo. Afinal, só numa sociedade tão “perversa” poderia surgir um subsistema de “alienação coletiva”. Canalhice pura.

Uma de suas principais críticas se refere à massificação da cultura. Afirmam que toda produção artística que se utilize dos meios e técnicas típicas do capitalismo, traz em si, propaganda do próprio sistema, reforço das normas sociais. Provocam o acomodamento e a “perda de consciência individual”.

Que estupidez sem fim. De acordo com a lógica, na vil democracia capitalista, nunca se poderia criar, por exemplo, um filme ou jornal que vá de encontro ao regime vigente. Ai, ai. Teríamos tanto lixo a menos se tal regra fosse aplicada. Mas, liberdade de expressão é assim mesmo. Só esquerdista não gosta dela.

Conversando com Araruta, amigo meu, surgiu um singelo questionamento. E no socialismo, como seria administrado os meios de comunicação de massa? Hum, sucateamento do sistema, fome generalizada, aniquilação de opositores, será que virariam manchetes? A ditadura de Mao e seus 60 milhões de mortos prova o que essa gente no poder é capaz de fazer.

Consciência individual. Se no capitalismo ela recebe coerção, no comunismo seria aniquilada de uma vez, em prol do “bem comum” (dos poucos no poder).

Nada humano é perfeito. É claro que há, e sempre haverá distorções. O que esse povo precisar enxergar é o que a história prova, é o que o dia-a-dia corrobora. Medidas liberais beneficiam a economia e conseqüentemente à população. Investir na educação é fundamental. A ascensão da Coréia do Sul exemplifica perfeitamente o que a correta execução destas duas medidas provocam.

Lendo esses tão falados senhores, surgiu-me uma única dúvida. Seria mais um caso de desonestidade intelectual em busca de renome? Muito comum nesse meio. Ou simplesmente burrice? Também generalizada.