O brasileiro tem opiniões demais. Faz parte de sua cultura. Não interessa qual o assunto, dispara sempre uma verdade incontestável. É chique ter palpites. Pouco importa que sejam clichês superficiais ou sandice completa.
No âmbito particular, não há problema algum. Eles que continuem, nos botecos, a reclamar do esquema tático da seleção. O perigoso é quando tais criaturas, dotadas de inteligência divina, ocupam nossa mídia, formando opinião. Por serem porta-vozes da verdade, não se dão o trabalho de estudar, de se informar, de ouvir o outro lado (isso quando sabem que existe outra versão). Seus comentários são nocivos, corroem a inteligência alheia. O absurdo, repetido continuamente por essa classe falante, é assimilado pela opinião pública como verdade consensual.
Lendo uma coluna de Cláudio Nunes, não conseguir me conter. Cada linha causava-me mal estar, cada palpite vibrava como um açoite em meu cérebro. Ao final do texto, estava triste, abatido, mas com um sorriso de quem resistiu até o fim. Para quem não conhece, Nunes é um comentarista político sergipano, mas que de vez em quando, adora discorrer sobre temas que não lhe competem, como religião, etiqueta e o que mais der na telha.
No texto, ele analisa os discursos do papa, e dar conselhos de como reformulá-los para a visão politicamente correta das coisas. Primeiro, Bento XVI deveria se desculpar pelo massacre de tribos indígenas no início da colonização. Segundo o colunista, a igreja contribui com a carnificina, e não justamente o contrário, partindo em defesa dos nativos quando esses se recusaram a servir de escravos. Depois, caso queira atingir a redenção, o papa deve aposentar seus dogmas antiquados e aderir ao discurso modernista. A camisinha e o aborto devem receber a benção da igreja. É loucura pensar de outra forma.
São temas polêmicos, mas uma coisa é certa: não cabe a mim ou ao referido jornalista se meter em assuntos eclesiásticos. Como ele mesmo declara, não segue nenhuma religião. Faria um bem colossal a humanidade se não opinasse sobre elas.
É incrível como todo mundo adora meter a colher. “Ahh meu Deus, mas não pode, que crime ser contra a camisinha numa época de AIDS”. É o principal argumento dessa gente. Segundo tais visionários esclarecidos, a igreja tem sua culpa na proliferação da doença. Claro, olha que lógico: o católico praticante não vai ousar desrespeitar a igreja, não usará camisinha. Mas, misteriosamente, não sentirá nenhum remorso em desrespeitar a monogamia. Sairá fodendo a torto e a direito e, ocasionalmente, pegará AIDS. Além de deixar grávida meio mundo de gente. Óbvio que a culpa é da igreja, que não o deixou usar camisinha!
O aborto então, “só diz respeito à mulher”. É incrível como defendem com uma moral inabalável o assassínio de crianças. Não tenho muita leitura sobre o assunto, não vou aqui tecer comentários superficiais sobre o tema (embora minha bússola moral me informe de imediato qual o certo e errado). Sugiro esse vídeo para maiores esclarecimentos. Só relembrando, a constituição permite aborto em casos de estupro e risco de vida à mãe. Qualquer outra concessão parte do princípio da conveniência.
Cláudio Nunes ainda fala outras bobagens menos importantes, estou com preguiça de refutá-las. Segue abaixo o link para aqueles com mais paciência. Apesar de seu petismo mal disfarçado, não tiro o mérito de seus textos políticos. Minha intenção não é desmerecê-lo. Apenas senti-me impelido a refutá-lo.
__________No âmbito particular, não há problema algum. Eles que continuem, nos botecos, a reclamar do esquema tático da seleção. O perigoso é quando tais criaturas, dotadas de inteligência divina, ocupam nossa mídia, formando opinião. Por serem porta-vozes da verdade, não se dão o trabalho de estudar, de se informar, de ouvir o outro lado (isso quando sabem que existe outra versão). Seus comentários são nocivos, corroem a inteligência alheia. O absurdo, repetido continuamente por essa classe falante, é assimilado pela opinião pública como verdade consensual.
Lendo uma coluna de Cláudio Nunes, não conseguir me conter. Cada linha causava-me mal estar, cada palpite vibrava como um açoite em meu cérebro. Ao final do texto, estava triste, abatido, mas com um sorriso de quem resistiu até o fim. Para quem não conhece, Nunes é um comentarista político sergipano, mas que de vez em quando, adora discorrer sobre temas que não lhe competem, como religião, etiqueta e o que mais der na telha.
No texto, ele analisa os discursos do papa, e dar conselhos de como reformulá-los para a visão politicamente correta das coisas. Primeiro, Bento XVI deveria se desculpar pelo massacre de tribos indígenas no início da colonização. Segundo o colunista, a igreja contribui com a carnificina, e não justamente o contrário, partindo em defesa dos nativos quando esses se recusaram a servir de escravos. Depois, caso queira atingir a redenção, o papa deve aposentar seus dogmas antiquados e aderir ao discurso modernista. A camisinha e o aborto devem receber a benção da igreja. É loucura pensar de outra forma.
São temas polêmicos, mas uma coisa é certa: não cabe a mim ou ao referido jornalista se meter em assuntos eclesiásticos. Como ele mesmo declara, não segue nenhuma religião. Faria um bem colossal a humanidade se não opinasse sobre elas.
É incrível como todo mundo adora meter a colher. “Ahh meu Deus, mas não pode, que crime ser contra a camisinha numa época de AIDS”. É o principal argumento dessa gente. Segundo tais visionários esclarecidos, a igreja tem sua culpa na proliferação da doença. Claro, olha que lógico: o católico praticante não vai ousar desrespeitar a igreja, não usará camisinha. Mas, misteriosamente, não sentirá nenhum remorso em desrespeitar a monogamia. Sairá fodendo a torto e a direito e, ocasionalmente, pegará AIDS. Além de deixar grávida meio mundo de gente. Óbvio que a culpa é da igreja, que não o deixou usar camisinha!
O aborto então, “só diz respeito à mulher”. É incrível como defendem com uma moral inabalável o assassínio de crianças. Não tenho muita leitura sobre o assunto, não vou aqui tecer comentários superficiais sobre o tema (embora minha bússola moral me informe de imediato qual o certo e errado). Sugiro esse vídeo para maiores esclarecimentos. Só relembrando, a constituição permite aborto em casos de estupro e risco de vida à mãe. Qualquer outra concessão parte do princípio da conveniência.
Cláudio Nunes ainda fala outras bobagens menos importantes, estou com preguiça de refutá-las. Segue abaixo o link para aqueles com mais paciência. Apesar de seu petismo mal disfarçado, não tiro o mérito de seus textos políticos. Minha intenção não é desmerecê-lo. Apenas senti-me impelido a refutá-lo.
* Coluna de Cláudio Nunes
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