Ailton Reis
Cinform, 25 de junho de 2007
Para matar o tempo, as pessoas fazem de tudo. Alguns vão às compras, outros planejam revoluções, existem até aqueles que assistem João Cleber. Já eu, quebrado, reacionário e sem saco pra TV, prefiro ficar aqui, analisando o esquerdismo em suas variadas formas.
Recentemente, os estudantes da Universidade Federal de Sergipe entraram em greve. Isso mesmo, os estudantes. Resolveram deixar os professores ‘a ver navios’ e foram curtir os festejos juninos em paz. É interessante identificar os métodos de ação esquerdista aplicados na restrita esfera universitária.
Primeiramente, temos a construção da justificativa. Assim como o marxismo, os militantes marxistas da UFS precisam de uma bela retórica, que convença e legitime todos os meios utilizados – inclusive os mais inescrupulosos - para a suposta resolução dos problemas. Como veremos a seguir, os males que a tantos afligem são as últimas das preocupações esquerdistas. Tudo o que querem é uma bela desculpa para chegarem ao poder como os salvadores da pátria, ou no caso dos estudantes, chamarem atenção e brincar de revolução.
Os servidores da UFS paralisaram suas atividades há algumas semanas. Serviços como biblioteca, restaurante universitário e alguns laboratórios não estão disponíveis. Claro que a situação é ruim, mas, boa parte dos alunos, principalmente os que de fato estudam, estava disposta a passar por incômodos, tendo em vista o término do período logo daqui a um mês. As pessoas sabem o quanto as greves atrasam o curso. Então, como reverter a situação em benefício do movimento estudantil?
Distorcendo informações, apelando para o emotivo e utilizando o famoso patrulhamento ideológico, tão bem ensinado por Lênin. A nobre causa alardeada pela trupe é, como sempre, justiça social. Segundo os revoltosos, alunos carentes estavam até passando fome em decorrência do fechamento do Resun (restaurante universitário). Só um tolo, individualista e reacionário não se sensibilizaria frente a tal argumento, e foi assim que passaram a taxar todos que não concordavam com a greve (nem precisaria dizer que reacionário, no linguajar universitário, é sinônimo do capeta encarnado). O que eles, convenientemente, omitiram é que alunos comprovadamente carentes, que recebem assistência moradia da UFS (residentes), passaram a receber também uma cesta básica por semana. A outra grande parcela dos freqüentadores do restaurante é composta por alunos que estagiam na própria universidade, esses – inclusive eu -, estão revezando seus dias de trabalho, para que não tenham que almoçar todos os dias nas adjacências, ou voltar correndo às suas casas. Graças à reformulação da grade de horários, todas as disciplinas obrigatórias de um curso estão alocadas num mesmo turno, o que isenta outros alunos a terem que permanecer na universidade em mais de um horário.
Como ocorre na nossa grande mídia, a demagogia das doces palavras se alastrou mais rapidamente que os fatos. Fizeram uma assembléia estudantil, para dar aquele ar de democracia, inquirindo sobre a decisão de deflagrar ou não a tal greve. Claro que venceu o ‘sim’. Os estudantes de boa fé receberam informações enviesadas. Os farristas, que estavam mais preocupados com o São João, ganharam motivação humanitária para cair na cachaça.
A idéia da assembléia parte de uma estratégia antiga do socialismo. Vem do conceito de usar o voto direto para travestir as decisões totalitárias de um governante como democráticas. Algo semelhante ao que ocorre em Cuba. Ou vota-se em Fidel, ou em Fidel. Tudo que Fidel faz será legitimado pela ‘decisão’ do povo. No caso universitário existia outra opção, mas, como não há movimento estudantil conservador*, foi impossível disputar frente à forte e organizada propaganda pró-greve. No dia seguinte à eleição, arbitrariamente, fecharam as didáticas, impedindo a livre circulação de alunos e professores.
Atingiram seu objetivo: poder. Claro que nesse caso bem restrito. Todo o suor de horas perdidas interrompendo aulas para espalharem suas idéias valeu o gostinho de mostrar que existem. Se no regime militar a justificativa para carros-bomba e seqüestros era a 'liberdade de expressão' - o que queriam, na verdade, era apenas uma inversão de posições -, agora, com a democratização, é a tal de justiça social. Na lista de reivindicações entregues ao reitor, constam algumas coisas que merecem discussão, porém, mais da metade foge da esfera universitária e só foi colocada em pauta para reforçar a pretensa preocupação social que legitima o movimento – “10% do PIB para a educação”.
7 comentários:
Getúlio
Caro Ailton, parabens. Gostei muito.
VC so omitiu uma coisa: a culpa da greve é nossa! Se existia uma assembleia pq nao fomos dar o nosso nao? Aposto q teriamos ganhado a parada. Ja lhe falei do movimento pro-aula, q inclusive vc naum participou. Resumindo: fomos omissos e isso nos custou caro.
Caro Getúlio,
Eu participei sim da assembléia, e já assinei meu nome na lista do movimento pró-aula. PArticipei parcialmente da reunião que teve sexta com o pró-reitor.
Espero que consigam reverter a sandice, mas evitar que manipulamentos assim aconteçam, só com um contra-movimento organizado.
Estas assembléias não têm nada de democrático. Convocam com urgência, colam cartazes algumas horas antes e as vezes em dia de prova para muitos cursos. Resultado: só eles sabem da assembléia e, portanto, só eles decidem. E quando você vai reclamar das decisões da assembléia, culpam-no de não ter participado dela.
Bela democracia...
É sempre assim... Quando entrei na universidade, nos idos de 83, a primeira coisa que aconteceu foi uma assembléia de estudantes para discutir a votar uma greve. Sendo eu meio besta na época, fui lá para me fazer representar. No palanque estavam Lídece da Mata, Ravier Alfaia entre outros. A discussão foi uma conjunção de urros e gritos. Não preciso nem dizer que fui vencido por 1000 a zero. Os estudantes fizeram a greve e até o dia em que saí de lá, muitas outras aconteceram, patrocinadas também por professores e funcionários.
Ao final do meu curso fiz um balanço, e não foi difícil identificar o maior prejudicado. Perdi um ano e meio de vida profissional e algumas férias. Os professores e funcionários estão bem, obrigado. Alguns até aposentados e recebendo mais do que eu ousaria sonhar como contribuinte do INSS. Os líderes estudantis de então, estão firmemente acoplados às tetas do governo, e aqueles dois em particular, que citei acima, são deputados. A primeira já foi até prefeita de Salvador, a pior que se tem notícias, por sinal.
Enfim, amigo, prepare-se ... Você está no Brasil! O reino dos parasitas arrogantes. Terá que carregá-los e ainda ouvir seus insultos. Aqui, máximo que poderá fazer é coçar-se como está fazendo, para incômodo dos bichinhos.
Meu caro, organize-se e reaja! Mesmo que fosse um voz solitária, a sua seria útil, mais que isso, necessária! Compreendo perfeitamente o que sente e saiba que na UFRJ há 17 anos já era assim. A única coisa que mudou hoje é que após tantas greves de funcinários todos perceberam que eles nada produziam e não se sente mais falta deles!
"A universidade brasileira não pode ser melhorada. Ela deve ser abandonada, desprezada, esquecida. "
Contra a universidade
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio de 10 de abril de 2006
http://www.olavodecarvalho.org/semana/060410dc.html
Note que ele não diz nada a favor das universidades do exterior aí. Enfim, não "leia" isso como um incentivo a ir cursar alguma faculdade fora do país.
Profeeeeeta! uauhauahuahauha
Rapá gostei do texto mto legal
meus parabens
dps tu me conta no meu blog como q tu fez pra coloca la no jornal!
Xêro dicumforça uuuuuuui
Rafael Gomes
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