Sexta-feira, Outubro 12, 2007

Não vale nada

“Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz” Lênin fazendo escola

Ailton Reis

Bruno Tolentino, poeta, disse certa vez que só entraria em uma universidade (brasileira) disfarçado de cachorro. Há momentos em que o compreendo. Não que eu seja dotado de inteligência extraordinária e esteja esnobando tal instituição. Nada disso. Mas, acontecem cenas pitorescas, para além do suportável; qualquer um com mínimo de discernimento começa ao menos desconfiar que exista algo podre por trás de belos discursos.

Terça-feira, cinco da tarde. Cansado e com sono, como de costume, vou para mais uma aula de História Econômica Geral e do Brasil. Nome pomposo, a disciplina seria importante em outras circunstâncias. Para minha ‘não-surpresa’, discutiríamos a evolução do capitalismo no Brasil, tomando como partida o ‘filme’ Quanto vale ou é por quilo?, de Sérgio Bianchi. Filme entre aspas, sim. Não conheço muito de técnica cinematográfica, porém, desconfio que não se possa enquadrá-lo como tal.

Resenha não é meu forte, mas vamos lá. O filme não passa, na verdade, de uma sucessão de cenas clichês que buscam paranoicamente pintar o empresário, ou simplesmente qualquer pessoa branca, de hipócrita, desonesta quando não desumana. É ridículo, me recuso a acreditar que alguém leve aquilo a sério. Contudo, a inverossimilhança que permeia todo o filme não chama atenção. O que chama é justamente a hipocrisia, desonestidade, quando não desumanidade de quem vomitou aquele script.

Após uma breve passagem no período colonial, na qual são descritas as condições subumanas dos escravos, o filme se transporta para a época atual. A idéia é de que vivemos num neo-escravismo, só que mais ‘sutil’. As condições de escravos, de fato, eram deploráveis. Não é a toa que arriscavam suas vidas em busca de liberdade. Atualmente, contudo, a história não deixa dúvida. Não é do capitalismo que as pessoas fogem, é do paraíso socialista. Na ex-URSS vemos incontáveis ‘ingratos’ que recusavam os afagos de Stálin, a Alemanha oriental então, infestadas de traidores que fugiam, ou morriam tentando chegar ao lado ‘selvagem’. Hoje em dia, enquanto esse povo chique que adora um baseado discute as mais mirabolantes formas de alienação produzidas pelo capitalismo, milhares de cristãos são perseguidos e mortos na Coréia do Norte; em Cuba, indivíduos chegam ao cúmulo de atravessar um mar repleto de tubarões em pequenas e improvisadas embarcações para escapar do amável e sorridente Fidel. Tudo isso, claro, porque odeiam a boa vida que levam e, masoquistas que são, adorariam ser neo-escravizados.

O filme prossegue retratando a questão das ONGs. Mostra como assistência social virou um grande e despudorado negócio. Fornece ainda estatísticas que comprovam a safadeza dessas organizações. O engraçado é que, segunda a película, no comando de tais ONGs encontram-se ‘típicos’ empresários: indivíduos brancos, egoístas, que visam unicamente o lucro, nem que isso custe literalmente o jantar de alguém. Ai, ai. É incrível como esquerdopatas descaradamente invertem a realidade, jogando para seus adversários todas as baixezas por eles cometidas. De cada dez ONGs, onze são administradas por essa gente ‘engajada com o social’ - anticapitalistas que não vivem sem coca-cola e automóvel.

Saí antes do término. De fato, não tenho paciência para tanta abobrinha. Já basta o bombardeamento ideológico que sofri durante a adolescência. Por anos, fui massa de manobra, acreditando que era dever moral de todo indivíduo lutar pela ‘revolução’. Compactuava, mesmo sem saber, com o genocídio em massa de mais de 100 milhões de pessoas. Mas o comunismo só tem contas a prestar com o futuro. Então, qualquer banho de sangue em nome da ‘causa maior’ é justificado. Não caia nessa. Qualquer indivíduo ou classe que se sinta no dever de reformar toda uma sociedade descamba para o totalitarismo. Por melhores que pareçam as pretensões, os resultados são os mesmos. Nazismo e comunismo são irmãos. Ambos com pretensões reformistas em nome de uma ‘sociedade futura melhor’. Ambos revolucionários, ambos sanguinários.

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