Domingo, Dezembro 30, 2007

Ódio à razão

Já faz um bom tempo, fui à palestra de uma tal de Cosette Ramos. Apesar das constantes interações com o público, que me deixava particularmente constrangido, achei interessante. Ela explanou sobre um novo paradigma de educação, voltado ao desenvolvimento de ‘talentos’, não meros ‘trabalhadores-robôs’.

Segundo Cosette, as descobertas da neurociência decifraram níveis de aprendizagem, chegando à conclusão de que a emoção, o ‘sentimento’, precede à razão. Se sentirmos medo ou raiva, nossa mente ‘trava’, minando nossa autoconfiança e criatividade – esqueci os termos científicos, como não estudei o assunto, tenho como fonte apenas essa senhora. Por isso, faz-se necessário criar um ambiente seguro, onde as crianças possam experimentar, acertar e errar sem sofrerem constrangimentos.

Esse conceito obviamente não se aplica apenas à fase infantil. A todo o momento, somos guiados por nossas emoções. Tanto que o objetivo de muitos comerciais, de produtos considerados supérfluos, é tocar no íntimo das pessoas, fazendo-as desejarem e venderem até as calças para obtê-los. Não condeno nem aprovo. Em âmbito individual, é só uma questão de auto-controle. Contudo, é extremamente perigoso quando tais sentimentos dirigem as ‘classes falantes’ (jornalistas, professores e políticos), extinguindo os últimos vestígios de racionalidade do debate público.

É angustiante ver como temas importantes são tratados com tanta superficialidade. Bandido é ‘vítima da sociedade’, ‘neoliberalismo’ é do capeta, não à ALCA, fora FMI. Não quero dizer que a antítese seja verdadeira e ‘lúcida’. Faço crítica apenas à maneira descompromissada como lidamos com o assunto, tomando partido e vomitando palpites sem uma análise aprofundada.

A esquerda é mestre em brincar com emoções alheias. Transforma complexos problemas em simples questionamentos. É tudo “preto ou branco”. “Você é a favor de justiça social”? Quem não apoiaria um salário digno para todos? A receita para todos os males está no estado. Essa solução simplória, quando aplicada, mostra-se ineficiente. Aumenta-se, então, mais uma vez o estado, num ciclo vicioso e ininterrupto, criando o atual monstro que consome 40% do PIB.

Com a dominação cultural imposta pela esquerda, perdeu-se o contraponto que equilibrava o debate. Qualquer um que se diga de direita, conservador, está automaticamente passando uma imagem falsa, estereotipada, que provoca os sentimentos mais repulsivos. Dessa forma, torna-se impossível explicar às pessoas os benefícios e a importância do livre mercado, da redução dos gastos estatais ou do direito básico à propriedade privada.

Para esquerdóides, tudo é uma questão de ‘guerra de classes’. Não há importância em observar a validade dos argumentos, basta apenas (des)classificá-los como ‘reacionários’ e ‘burgueses’. Pronto, nada que se diga pode ferir as convicções de um fanático comunista.

O problema do Brasil não é a existência da esquerda. Diferentemente de regimes socialistas, a democracia funciona muito melhor com diversidade de opiniões. O grande problema do Brasil é justamente a criminalização do pensamento de direita. É o totalitarismo do politicamente correto. É a imbecilização coletiva.

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