Domingo, Março 23, 2008

Um macho de verdade

Por Ailton Reis

O desfecho do "caso Pipita" foi emblemático. Digno de ser registrado em livros escolares e contado às crianças como exemplo a ser seguido. Um lavrador de 71 anos, munido apenas de uma foice, defendeu sua família e fez o que dezenas de policiais não conseguiram.

A história todos já sabem. O marginal - ou melhor, 'menor infrator' - conhecido como Pipita vinha aterrorizando a região sul de Sergipe nos últimos meses com uma série assaltos, latrocínios, estupros e seqüestros. Zombou da polícia, ameaçou uma prefeita, fez o diabo. Dezenas de polícias militares, civis, de operações especiais e dois helicópteros o procuravam pela mata havia semanas. O moleque armado tentou invadir uma propriedade, fazendo-se passar por policial. Recebeu golpes de foice na cabeça e no braço. Não contava com a virilidade de um nordestino nato. Fugiu e logo após foi cercado pela policia.

A atitude do senhor José Barbosa Filho merece maior atenção. Encurralado na fazenda com sua esposa, em óbvia desvantagem, não se intimidou e defendeu-se com o que tinha em mãos. Parece uma decisão óbvia, pois é. Apesar de instintiva, a autodefesa está em "extinção" no Brasil. Somos educados a nunca reagir a bandidos que nos tomam de assalto ou invadem nossos domicílios. É a cultura do 'paz e amor', de 'esperar sentado que o estado resolva nossos problemas'.

É dessa mentalidade que surgiu a 'brilhante' campanha do desarmamento. Privar nosso direito de defesa pessoal e nos tornar ainda mais dependentes do governo - que aliás, sempre desempenha muito bem suas funções... Felizmente, o povo rejeitou esse absurdo, que na época contava com o apoio da grande mídia e, claro, de sorridentes atores globais.

Já posso prever as críticas de sempre. "Você defende que nos transformemos em brutamontes?" ou "deseja o retorno do olho por olho, é?" Não! Como a bíblia nos ensina, devemos ser pacíficos, porém, jamais covardes.

O pessoal politicamente correto, de 'ativismo social', odeia qualquer discurso que enalteça a determinação individual. O que querem, na verdade, é a completa dependência da população a um grande e burocrático "estado-babá". O governo deve nos dar casa, comida e roupa lavada. A idéia parece tentadora. Na prática, é um desastre. Não passa do 'bom' e velho comunismo, só que disfarçado. À medida que delegamos mais e mais responsabilidades ao governo, perdemos progressivamente nossa liberdade. Cuba, por exemplo, apresenta bons níveis de educação e saúde. Porém, sua população alfabetizada só lê o que Fidel (ou Raul) Castro permite, e milhares arriscam suas saudáveis vidas fugindo daquele imenso cárcere.

O Brasil está se tornando afeminado. Os jovens são educados a serem 'patos sentados' à espera de proteção governamental. Exemplos como do senhor Barbosa são importantes para nos lembrar que, em muitas situações, podemos e devemos agir.

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