
Por Ailton Reis
As eleições desse domingo trouxeram algumas lições. É bom acompanhá-las.
Há um mês atrás, no início do segundo turno, a sociedade civil se uniu –graças a essa maravilha chamada internet - para defender a vida, marcar posição contrária ao aborto e colocar a candidata Dilma Roussef contra a parede.
Essa mesma fatia do eleitorado não se sente representada atualmente nem por PSDB, nem PT, nem qualquer outra sigla. Essa fatia significativa do eleitorado são pessoas conservadoras, que dão mais valor a questões morais, de costume, do que a atual agenda política imposta pelos partidos e políticos em evidência.
Serra perdeu porque não soube representá-los. Não estou defendendo aqui que ele devesse tornar a campanha ‘monotemática’, explorando a exaustão essa questão do aborto, não é isso. Mas, tomando como partida esse tema – que apareceu espontaneamente no debate político – discutisse uma série de outros temas, mostrando claramente as diferenças entre ele e a candidata de Lula.
Ao invés de aderir ao movimento de reação que surgia, Serra repetiu a tecla do 1° turno, focando em si mesmo. Com o discurso muito tecnicista, burocrático e explorando exaustivamente sua biografia, sufocou esse movimento e virou presa fácil para a máquina de desconstrução petista.
Serra perdeu, o PT continua no poder, mas a democracia sai fortalecida dessas eleições. A parcela conservadora da população, que há muito tempo estava calada, fez-se ouvir politicamente. Essa parcela é maior do que aparenta...
O Brasil é um país conservador. A população em geral é contrária a ideias progressistas, principalmente quando tocam em questões muito claras, de fácil entendimento, como o aborto e desarmamento civil, amplamente rejeitadas.
O que precisa ser feito, para o bem da democracia, para a legitimidade da democracia representativa, é que essas pessoas se façam ouvir mais vezes no debate político. É preciso que haja, se não um partido específico, mas políticos, figuras que encarnem, representem e tragam a tona questões caras a tantos brasileiros.
Conservadores de todo o Brasil, uni-vos!
11 comentários:
Caríssimo, você acredita mesmo que a resposta a ser dada é montar uma outra facção, um outro grupo, agora de conservadores? Acha mesmo que é o conservadorismo ou a direita que pode ser a resposta?
Não faço aqui uma defesa à esquerda ou ao Lulo-petismo (coisas que não suporto e sabes bem), mas queria entender sua posição!
P.S.: vou divulgar seu blog aos nossos amigos!
Grande,
Não se trata de facção, pois o conservadorismo não é uma doutrina.
Trata-se do envolvimento político sim.
Sou a favor que deixemos essa neutralidade ascètica que contagia boa parte dos 'religiosos',para combater o bom combater, ser protagonista na esfera política. Isso claro, respeitando as inclinações natuarais das pessoas. Eu gosto de política e gosto de me envolver, não necessariamente esse deve ser o SEU posicionamento.
Um abraço
Faço minhas estas palavras, pois quero fazer delas o "programa" da minha vida:
“A única coisa que muda o mundo é uma amizade verdadeira na qual você esteja disposto até a dar a vida pelos seus amigos!” Marcos Zerbini
E aí? Por quem você daria a sua vida? Você daria a sua vida por mim?
Saiba que eu daria a minha vida por você! (embora eu espere não precisar fazer! kkkkkkkkkkkkkkkkk)
Vamos gastar as nossas energias na construção de uma amizade verdadeira, na qual até Dilma tem espaço. Vamos rezar uma Ave Maria por Dilma Rousseff todos os dias, pedindo por ela e por nosso país! eu estou fazendo isso!
Abraços!
Dimitri
Respeito porém discordo da visão de ambos.
A política é necessária meu caro, e na política essa postura não vinga, não trás resultados práticos.
Imagine se amanhã, a seja apresentado outro projeto de legalização do aborto. Podemos e devemos rezar, mas é fundamental a práxis, o colocar a mão na massa. Ir nas ruas e protestar.
A política não é território de santos, é o território do preferível, do possível. É uma luta, uma batalha.
Um abraço
É uma pena Ailton, pois então parece que você não entendeu muita coisa!
Esse seu discurso não difere muito do discurso dos "cumpanheiro" da esquerda. A lógica é a mesma e o que determina a sua posição é a mesma coisa!
Tenho pensado em seu post desde ontem; me fez lembrar um velho amigo: mesmo fervor, mesma argumentação, mesma reatividade e inflexibilidade, a diferença é que para ele isso tomava a forma na religião (acho que sabe de quem falo).
Você diz: "A política não é território de santos, é o território do preferível, do possível. É uma luta, uma batalha."
Se for isso mesmo, então não me interessa, pois se trata de um território ateu!
Mas como eu sei que não é o caso, então a única explicação é que o fato cristão, nesse aspecto, não se relaciona!
A postura do Dimitri não é uma postura de passividade, mas alguém que lança um olhar diferenciado, alguém que parte de Outra coisa, e não simplesmente de uma ideologia (sim, ideologia)!
Por fim, a vida é sim um combate! E a na política, como aspecto da vida, também encontramos a luta! O ponto é: o que me move? A minha tenacidade é feita de que?
Você que não me entendeu meu caro,
Para você, Dimitri e boa parte das pessoas regiliosas que conheço, existe uma barreira entre política e vida espiritual.
"Não posso me envolver, não posso querer participar da disputa política pois isso me fará iguais a todos os outros. Só que o com o 'lado oposto'".
Nada mais falso.
Quando afirmei que política não é para santos, afirmo que o jogo político tem suas características próprias, não depende da vontade única do agente.
Como num discurso dialético, é preciso, confrontar, argumentar diante de teses distintas para buscar convencer o 'auditório' à minha tese.
Isso não quer dizer que a pessoa perca sua autonomia, sua consciência, e que todos sejam iguais, NÃO NÃO NÃO.
Mas, é preciso se envolver, conhecer o discurso do outro lado, é preciso se 'engajar' para fazer frente e mostrar pq meus argumentos, minhas ideias são melhores.
O fato de me 'engajar' politicamente não me faz um ateu, nada mais falso.
"Se for isso mesmo, então não me interessa, pois se trata de um território ateu!"
A política é isso mesmo. Se não te interessa é uma pena, pois você será governado por ateus ou coisa pior.
Só a título de conhecimento, FHC, que você tanto fala bem, é ateu - não estou desqualificando ele não.
Quero mostrar que política tem suas características próprias e é preciso acabar com esse discurso sectário e puritano.
Um abraço
Caro Ailton, você me parece um tanto equivocado em sua análises.
A começar pelo que diz de Dimitri. Para ele não há essa barreira entre a política e, o que você chama, vida espiritual. Mas talvez para você haja sim...explico-me:
Primeiro que você tem razão ao dizer que a política tem suas regras próprias (característica da modernidade a autonomização das esferas sociais) e que o que acontece não depende da vontade dos agentes (isso acontece em todas as realidades sociais, por isso não dá para acreditar muito em teorias conspiratórias). Mas, ainda assim, deve haver um primado da pessoa, ainda assim o indivíduo deve ser protagonista, já que a política é feita por homens e não por uma estrutura!
Outra coisa é que quando afirmei que a política não me interessaria se fosse um terreno ateu é porque seria algo impossível de se relacionar com o fato religioso. Mas não é esse o caso! E, se não é assim, então me interessa sim!
Mas em hora alguma eu lhe chamei de ateu (releia o texto), mas se foi isso que leu e ainda assim diz que lhe interessaria...bom teríamos alguns problemas aí, não?
Quanto a FHC ser ateu: qual o problema? Não me interessa se ele é ateu, judeu ou do candomblé! Me interessa que ele, e qualquer representante civíl, seja alguém integro e comprometido com a verdade. Que cumpra seu papel de governante (no caso dele quando foi) e zele pela sociedade. E que direitos e valores da mesma sejam preservados e cumpridos!
Nesse ponto o Dimi faz certo ao pedir para se rezar pela Dilma, pois faz o que nos pediu o apóstolo S. Paulo ao nos pedir para rezar pelas autoridades constituídas.
Mas tenho que lhe perguntar: por que você precisa convencer o "auditório", como você mesmo chama, de suas idéias? Por que você acha que suas idéias são melhores, seus argumentos são mais válidos?
Você dizer que o que dizemos é um "discurso sectário e puritano" só mostra que você ainda não entendeu o fundamento das coisas!
Continuo a afirmar: é tão ideológico quanto os outros!
Grande Lucas, v amos por partes.
Ponto 1: Você reconhece então que a política tem regras próprias.
"Primeiro que você tem razão ao dizer que a política tem suas regras próprias (característica da modernidade a autonomização das esferas sociais) e que o que acontece não depende da vontade dos agentes (isso acontece em todas as realidades sociais, por isso não dá para acreditar muito em teorias conspiratórias)"
Devo pressupor então que concorda que na política, é preciso se envolver, se 'engajar', para poder dialogar e transitar bem nesse meio.
Ponto 2: Tenho certeza que você não me chamou de ateu. Usei o meu exemplo de forma genérica, substitua o 'eu' por qualquer outra pessoa que essa dedução ainda é válida de acordo com o que vc escreveu.
O fato de Reinaldo Azevedo se 'engajar' politicamente (e a política não ser terreno para santos) não faz dele um ateu, nada mais falso.
Ponto 3: "Mas, ainda assim, deve haver um primado da pessoa, ainda assim o indivíduo deve ser protagonista, já que a política é feita por homens e não por uma estrutura!"
Concordo plenamente com você. Agora, isso é um conceito, um príncípio norteador, isso no campo da política, por si só, não leva a lugar algum, posso falar mil absurdidades e dizer que estou primando pelo ser humano. Você tem que ter uma visão de governo, que políticas você implementaria caso eleito? Como vc se define politicamente? Primar pelo ser humano é muito nobre, mas vago!
Ponto 4: Quanto a FHC ser ateu: qual o problema?
Não há problema algum. Mas sua frase dava a entender que se protagonizada por ateus, a política não lhe interessaria.
Ponto 5: "Nesse ponto o Dimi faz certo ao pedir para se rezar pela Dilma, pois faz o que nos pediu o apóstolo S. Paulo ao nos pedir para rezar pelas autoridades constituídas."
Concordo plenamente disso. Acredito que devemos orar por Dilma, para que ela consiga controlar os radicais do seu partido, que zele pela democracia e faça um bom governo.
Porém, orar não pode ser nossa única forma de atuação. Sinteticamente, é isso que quero afirmar! Da forma como vocês escreveram, a melhor e única postura válida na política para algúem de fé é rezar e buscar crescer enquanto ser humano.
Ponto 6: "Mas tenho que lhe perguntar: por que você precisa convencer o "auditório", como você mesmo chama, de suas idéias? Por que você acha que suas idéias são melhores, seus argumentos são mais válidos?"
Quando busco convencer alguém de algo, é porque acredito sim ter uma melhor ideia, ou pelo menos, um complemente (ou contraponto) válido a ideia alheia. Isso não quer dizer que sempre terei a melhor ideia.
Mas você acredita que quando duas pessoas discutem, não exista uma mais racional? que considera mais fatores do real? É tudo relativo?
Caro Ailton,
Não quero voltar a argumentar seu problema de interpretação da "política ser atéia". Está muito claro e você está criando confusão. Sugiro que releia, pausadamente, o que escrevi.
Sendo assim, o que você escreveu a posteriori eu não comento, pois você não entendeu o início e sua confusãoa aumenta a cada explicação; é melhor aguardar uma compreensão melhor.
O seu argumento no ponto 3 é absurdo! O fato de defender o primado da pessoa humana não tem nada de vago, meu caro! Só alguém que não entende, de fato, o que seja isso poderia falar algo assim!
Mas lhe explico um pouco: o primado da pessoa um princípio norteador, que diz que as coisas devem partir e ter destino na pessoa humana.
Isso não é vago. Basta estudar um pouco e perceberá!
Você se contradiz quando primeiro diz que "afirmo que o jogo político tem suas características próprias, não depende da vontade única do agente" e depois vem falar em "conservadores, uní-vos"? Decida-se, a ação dos indivíduos gera algo ou o sistema é maior?
Por fim você fala: "Da forma como vocês escreveram, a melhor e única postura válida na política para algúem de fé é rezar e buscar crescer enquanto ser humano".
Mas você está certíssimo! O que é que tem de errado nessa frase?
Unir-nos-emos!
Engraçado Lucas, mas sempre, em qualquer discussão, quando você se ver ‘apertado’, recorre ao mesmo expediente: arrota superioridade. A discussão só existe pq o interlocutor não estudou o suficiente e não compreendeu suas sábias palavras. ME POUPE!
Pq vc se viu apertado? Pq vc recorta e cola frases prontas. Não existe unidade em seu pensamento.
Eu vou escrever um novo texto para o blog, respondendo alguns pontos levantados nesse seu último comentário.
ENCERRO AQUI MINHA PARTICIPAÇÃO NESSE DEBATE
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