Quinta-feira, Novembro 04, 2010

O silêncio dos bons.... Ou porque a direita religiosa é tão irrelevante no cenário político brasileiro


Por Ailton Reis

A publicação do meu último texto, a despeito de minha intenção de unir os conservadores, acabou gerando discussão, controvérsia. Confesso fiquei surpreso, mas depois analisando, percebi que os argumentos apresentados são uma síntese clara - talvez mais rebuscada - do pensamento médio de muitos cristão aqui do Brasil: na política, existem diversas facções disputando o poder, que divergem quanto a sua posição ideológica, mas são essencialmente iguais. O que quero mostrar com esse novo texto é que esse pensamento é equivocado, faz mal ao país, à democracia brasileira, pois justifica uma posição cômoda e passiva em relação à política.

A priori, é importante ressaltar que política não é a tábua de salvação para nossos problemas sociais. Acho tolo quem pensa dessa forma. A política, genericamente, diz respeito à condução do bem público, do bem comum, do Estado. Através de boas práticas políticas, podemos melhorar alguns índices sociais de nosso país, de nosso estado e de nosso município.

Sei que a maior revolução que podemos fazer para uma sociedade mais justa e humana não é de natureza política, mas de conversão pessoal, individual. Mas, essa questão é de foro íntimo, diz respeito à esfera privada. O Estado não pode forçar o indivíduo a ser uma pessoa melhor. Ele pode manter a ordem, o mínimo ético para uma convivência pacífica, através da coação.

Então, se o Estado, em sentido geral, não pode melhorar significativamente uma sociedade, devemos abrir mão da política e dedicarmos exclusivamente à religião, ao crescimento espiritual?

Essa é a pergunta que cada um de nós deve responder. Para mim, a resposta é claramente negativa.

Certo, política é importante, então, como um cristão deve atuar na esfera política?

Não existe uma resposta certa! A política não é uma ciência exata. A lógica cartesiana não funciona! O que existe é uma diversidade de partidos que exprimem (ou deveriam exprimir) uma diversidade de posturas, de ‘ideologias’, de como tratar o bem público, o bem comum, o Estado.

Os cristãos são um grupo heterogêneo. Existem centenas de igrejas distintas nesse Brasilsão. Cada uma com suas particularidades, umas mais liberais, progressistas outras mais tradicionais. Na própria Igreja Católica, você encontra uma diversidade muito grande de postura.

Essa diversidade deveria se refletir no campo político. O problema é que, em nosso país, só os cristãos de esquerda se manifestam! Padres de passeata, CNBdoB, TL, Edir Macedo e suas ovelhas, os exemplos são vastos.

É importante existir a esquerda (democrática), mas é fundamental que haja o contraponto, para que do confronto, do diálogo, sejam levantados mais fatores e tomado as decisões mais razoáveis.

Os cristão conservadores via de regra comungam daquela idéia do parágrafo introdutório desse texto. “Na política, são todos iguais, só mudam os lados”. Por isso, são inertes, não se interessam por política, acham uma coisa baixa, que fará mal à sua caminhada espiritual. É preciso combater esse relativismo.

O pensamento conservador se diferencia radicalmente das matizes esquerdistas e ultra-liberais justamente por não ter uma ideologia, uma receita de bolo para mudar a sociedade para melhor.

Cito o filósofo político Russel Kirk:

(...) Talvez seja mais apropriado, a maior parte das vezes, usar a palavra “conservador” principalmente como adjetivo. Já que não existe um Modelo Conservador, sendo o conservadorismo, na verdade, a negação da ideologia: trata-se de um estado da mente, de um tipo de caráter, de uma maneira de olhar para ordem social civil. (...) A continuidade da experiência de um povo, diz o conservador, oferece uma direção muito melhor para a política do que os planos abstratos dos filósofos de botequim. Mas é claro que a convicção conservadora é muito mais do que esta simples atitude genérica.


Não temos dogmas, verdades irrefutáveis para a práxis política. O que temos, na verdade, é um conjunto de princípios que reconhecem a importância de conservar o que há de bom na sociedade (tradições, costumes, etc) e fazer mudanças gradativas, pontuais, para aprimorar aspectos deficitários e adaptar-se aos novos tempos, às novas circunstâncias. A postura conservadora é a que mais reconhece a impotência do governo e valoriza a ação individual.

A prática política requer engajamento. É preciso que os cristãos conservadores não apenas sejam simpáticos a tal postura, mas que se envolvam, que dialoguem, que critiquem propostas e ações da esquerda. Pois se apenas um lado domina o cenário político, há uma tendência para o totalitarismo.

Isso não quer dizer que a dimensão política vai sobrepor a dimensão espiritual. Uma coisa não é oposta à outra. Deve existir uma unidade. Cabe a cada cristão ficar atento, fazer sua auto-análise e ver se Cristo é o norte de cada atitude sua, inclusive no campo da política.

Existe esquerda democrática, existe. Mas há também a esquerda totalitária, que está atualmente no poder e fará de tudo para lá permanecer.

Uma coisa é certa: se o atual cenário político perdurar, os cristãos serão progressivamente cassados, perseguidos, tendo direito limitados.

Se uma pessoa vai até sua casa, lhe xinga, lhe humilha, ameaça a você e a sua família, você vai ser cordial, oferecer um chá, ou expulsá-la a socos e pontapés?

Terça-feira, Novembro 02, 2010

Conservadores, uni-vos!



Por Ailton Reis

As eleições desse domingo trouxeram algumas lições. É bom acompanhá-las.

Há um mês atrás, no início do segundo turno, a sociedade civil se uniu –graças a essa maravilha chamada internet - para defender a vida, marcar posição contrária ao aborto e colocar a candidata Dilma Roussef contra a parede.

Essa mesma fatia do eleitorado não se sente representada atualmente nem por PSDB, nem PT, nem qualquer outra sigla. Essa fatia significativa do eleitorado são pessoas conservadoras, que dão mais valor a questões morais, de costume, do que a atual agenda política imposta pelos partidos e políticos em evidência.

Serra perdeu porque não soube representá-los. Não estou defendendo aqui que ele devesse tornar a campanha ‘monotemática’, explorando a exaustão essa questão do aborto, não é isso. Mas, tomando como partida esse tema – que apareceu espontaneamente no debate político – discutisse uma série de outros temas, mostrando claramente as diferenças entre ele e a candidata de Lula.

Ao invés de aderir ao movimento de reação que surgia, Serra repetiu a tecla do 1° turno, focando em si mesmo. Com o discurso muito tecnicista, burocrático e explorando exaustivamente sua biografia, sufocou esse movimento e virou presa fácil para a máquina de desconstrução petista.

Serra perdeu, o PT continua no poder, mas a democracia sai fortalecida dessas eleições. A parcela conservadora da população, que há muito tempo estava calada, fez-se ouvir politicamente. Essa parcela é maior do que aparenta...

O Brasil é um país conservador. A população em geral é contrária a ideias progressistas, principalmente quando tocam em questões muito claras, de fácil entendimento, como o aborto e desarmamento civil, amplamente rejeitadas.

O que precisa ser feito, para o bem da democracia, para a legitimidade da democracia representativa, é que essas pessoas se façam ouvir mais vezes no debate político. É preciso que haja, se não um partido específico, mas políticos, figuras que encarnem, representem e tragam a tona questões caras a tantos brasileiros.

Conservadores de todo o Brasil, uni-vos!